quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Caro leitor invisível,

todas as postagens anteriores deste Blog foram por mim, o autor também invisível, deletadas. Na verdade, como você pode perceber, isto não faz diferença alguma, pois eu, no alto de minha anônima translucidez, nunca publiquei este endereço. O que pode gerar a seguinte questão: estas postagens de fato existiram? Vou deixar você, que provavelmente não existe, com a dúvida e com a promessa de prováveis futuras postagens dos textos que aqui estavam (será?) ou outros.

Azul, castanho, verde e branco.

Era tudo azul. E azul não era tão fácil. Mas era azul, entende? Azul era tudo que o branco tinha. E o branco, que era menos que isso, se achava feliz. Numa felicidade que precisou do azul se dizer infeliz. Mas isso foi muito tempo depois. Porque antes o azul parecia branco, o branco azulado. E o branco tinha certo orgulho disso, ou dependência disso. O fato é que o azul escorregou esbranquiçadamente. Hoje, azul carrega nos braços a coisa que o branco mais queria: azul marinho. Azul é a cor de um tanto de coisas, menos do branco.

Mas isso é hoje. Antes houve o castanho. Distante do azul, castanho era outra cor. Diferente. Um sonho criminoso de se colorir. Castanho é a promessa de preenchimento de algo que o branco não tem: cor.

E o verde? Verde confunde o branco, quando mistura fica tudo meio esverdeado – perigoso -, porquê verde é pasto, mas também é mato.