segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A fome sem a vontade de comer

De fato, comeria todos os pedaços de tudo, os bons e os ruins. Engoliria num movimento sofrido de garganta, porém sem fazer cara feia. Não ia chorar, não ia reclamar, nem brincaria com a comida. Entenderia que existem dias de frutas, verduras, cereais e esperaria paciente pelo dia da carne. Faria dieta lua, do sangue, do sol. Perderia 12 quilos em uma semana. Seria um exemplo de tudo aquilo que devia repugnar, faria deste mundo aquele outro mais conhecido e tudo dentro de um prato de comida. Mas agora só existe o jejum.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Eles falam com tanta segurança. Falam de maneira elucubrada e elegante. E ainda que falem de alguma insegurança, o fazem seguros. Eles sabem essa linda linha sintática da desgraça. Eles sabem todas as palavras e quando esquecem, o fazem apenas por capricho. Mas eu não sei. Eu não sei onde elas estão. Eu queria tanto ser como eles, queria afetar tristeza, solidão, inteligência, queria construir um sorriso, uma frase, uma ereção. Eu só não queria lamber a mesma ferida invisível.