domingo, 20 de março de 2011

silêncio

Pouco a pouco, cada um colocou seu tablete de sabão na boca. Entreolhamos-nos por um instante com certo medo. Estávamos todos em pé e em círculo. Primeiro, um ardume na garganta e pigarros, depois suor. Então, eu juro, fechei os olhos e pude sentir as palavras escorregando. Engoli! Engoli as palavras. Tentei gritar e nada. Olhei-os e sorriam de canto de boca. Foi assim: digerimos tudo para elucubrados e eloquentes esperamos calados. Fingimos paciência. Alimentamo-nos apenas de palavras e nem água bebemos.

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