sábado, 3 de setembro de 2011

o vento e homem



O vento assoprou furiosamente o deserto de areia, formando montanhas, trilhas e planaltos. Depois, O vento montou a miragem e tudo que há dentro dela: camelos, açudes e o coqueiro. O vento levantou tudo que há dentro do deserto, até que um dia não modelou mais. O vento ajuntou-se num homem e parou de assoprar. O homem pensou gentilmente o resto do mundo, imaginando céus, continentes e mares. Em seguida, O homem refletiu a palavra e tudo que há dentro dela: amores, deuses e o tempo. O homem foi tudo que há dentro o mundo, até que um dia não especulou mais. O homem assoprou-se a areia e pensou o deserto.

2 comentários:

  1. Semelhanças com o começo do livro chamado "Luizinho, o Livro" obviamente são meras coincidências - mas eu me amarrei nessas coincidências, hahahha:

    I
    Onde, graças ao Verbo, muitas coisas passam do nada à existência


    No começo, não havia coisa alguma. Apenas o Grande Nada.

    Então veio a Palavra - o Verbo - e o Verbo conjurou um rio.

    A seguir, ao longo do rio, o Verbo construiu um vale e, só depois, um céu que cobria tudo.

    Veio o Sol e veio a Lua, iluminando os incontáveis brotos de vida que agora ocupavam a água e o imenso vale em volta dela. Tudo isso surgiu onde, antes, não havia nada.

    Ainda com a força do Verbo, os Homens ergueram, sobre o vale, uma cidade.

    Nesta cidade, entre outras coisas, havia floriculturas, automóveis, chaminés, pontes, torneiras e motoristas de ônibus. Havia restaurantes, galinhas, avenidas, debilóides, espelhos e janelas. Pois é justamente através de uma dessas janelas (que ocupava um espaço modesto na parede leste do quarto) que encontraremos Luizinho - sozinho, sonolento e pensando na namorada.

    É razoável supor que Luizinho ficará surpreso quando eu disser "Oi".

    - Oi.

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