segunda-feira, 5 de março de 2012

nada




Em um soluço, emergiu-se subitamente de um sono profundo. Inspirou em solavanco tanto ar quanto podia. Ofegante, olhos arregalados e coração disparado: mas com o que sonhara? Confuso e desterritorializado, tateou em volta do corpo procurando alguma pista. A luz era forte, não conseguia ver direito. Onde estaria? Esfregando lentamente a mão pelo seu entorno, percebeu incredulamente que se tratava de um montante absurdo de nada. Estava por todos os lados, um tanto de nada. Desesperou-se por um instante e tentou repetir de olhos fechados para si mesmo: tudo bem, tudo bem; e ficou assim por um instante. Ganhou tempo para pensar, mas não o fez. Abriu um olho e depois o outro: nada. Fechou-os novamente e resolveu gritar. O gripo soou alto e vivo, mas apenas uma vez, sem eco. Pensou ser melhor abrir novamente os olhos. Corajoso, encarou fixamente o nada...